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26 de janeiro de 2013

As Obras E A História De Ziraldo

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Ziraldo é mais um nome emblemático da cultura brasileira do século XX. Tendo seus traços e palavras presentes na literatura infantil e adulta; e no cotidiano do país, marcou seu nome por histórias, personagens e seu senso de humor crítico.

Ziraldo Alves Pinto nasceu no dia 24 de outubro de 1934, em Caratinga-MG. A curiosa origem de seu nome é a junção do nome da mãe, Zizinha, com o do pai, Geraldo. Seu interesse pelas artes já existia desde muito pequeno. Quando criança, já desenhava em qualquer superfície que pudesse receber seus traços e, desde que aprendeu a ler, se aventurava pelas obras que tinha acesso, como Monteiro Lobato. Ele também tinha um interesse especial por gibis e lia todos os que conseguia.

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Na vida adulta, formou-se em Direito pela Faculdade de Minas Gerais, na capital Belo Horizonte, em 1957 e casou-se no ano seguinte com Vilma Gontijo, com quem tem três filhos.

Sua carreira editorial começou na revista”Era Uma Vez…” na qual trabalhava como colaborador mensal. De lá foi para a Folha de Minas, em 1954, onde assinava uma página de humor. Voltou às revistas em 1957, quando A Cigarra e depois O Cruzeiro publicavam seus trabalhos. Nesta mesma época chegou a colaborar nas revistas Visão e Fairplay. Em 1963 passou a fazer colaborações para o Jornal do Brasil. E aos poucos, ia ganhando reconhecimento entre os periódicos brasileiros.

Seu talento como desenhista rendeu-lhe o trabalho de fazer cartazes para filmes nacionais da época, como “Os Fuzis”, “Os Cafajestes”, “Selva Trágica”, dentre outros. Por essas e por outras que no Rio de Janeiro já era reconhecido como um dos principais artistas gráficos do país.

Na década de 60, devido à grande agitação política que tomava conta do país, Ziraldo passou a empregar seu talento em charges políticas, que saíam n”O Cruzeiro e no Jornal do Brasil. Seus personagens como Jeremias, a Supermãe, Mineirinho, entre outros, atingiram grande popularidade.

Ainda nos anos 60, chegou a finalmente realizar-se na carreira artística. Começou a produzir e publicar suas próprias histórias em quadrinhos. Lançou “A Turma do Pererê”, ambientada num cenário folclórico brasileiro e retratando o país, de certa forma. Essa revista, a primeira de quadrinhos feita por um só autor, é um marco na história do gênero no Brasil. A revista foi suspensa com a tomada do poder pelos militares por ser demasiado nacionalista, apesar disso ela retornou à ativa em 1975, pela editora Abril. Sua importância na cultura brasileira para a luta engajada tem dois principais momentos. Quando, junto a outros humoristas, fundou “O Pasquim”, jornal que é até hoje lembrado como um dos principais meios que combatiam a repressão na época já que deu espaço para a aparição de jovens talentos do humor brasileiro após 1968. O outro momento da resistência política de Ziraldo foi quando, após a publicação do AI-5, ele ajudou a esconder e proteger vários amigos perseguidos pelo regime. Por esse ato, veio a ser preso e levado para o Forte de Copacabana.

Sua carreira foi definitivamente alçada a níveis internacionais em 1968, quando teve trabalhos seus publicados pela revista americana “Graphis”, de grande importância no meio das artes gráficas. A partir daí participou de outras importantes publicações ao redor do mundo.

O ano seguinte, 1969, foi muito importante também para sua carreira. Recebeu o Oscar Internacional de Humor no XXXII Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas e o Merghantealler, prêmio áureo da imprensa livre latino-americana. Ainda nesse ano publicou seu primeiro livro infantil, que viria a ser uma de suas principais obras: o FLICTS usando “o máximo de cores e o mínimo de palavras”, recebeu grande reconhecimento globalmente. Para se ter uma ideia disso, Neil Armstrong, presenteado com o livro, escreveu de volta ao autor: “The Moon is FLICTS!”.

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Na década de 70 gozou de seu reconhecimento internacional e passou a dedicar-se mais às histórias infantis, sua verdadeira paixão. O lançamento de “O Menino Maluquinho”, se tornou o maior sucesso editorial da feira do livro de 1980 e recebeu também o importante prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. O principal personagem da carreira de Ziraldo já nasceu em glória, e assim permaneceu até que, em 1989, passou a ser publicado também em revistas de quadrinhos e tirinhas. Em 1994, o Menino Maluquinho virou filme e alguns de seus personagens passaram a aparecer em selos postais comemorativos de Natal, como forma de homenagem dos Correios e Telégrafos ao artista. Mais uma vez, suas criações corriam o mundo, agora de outra forma.

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Em 1999, participou da criação de dois meios que estremeceriam o ramo editorial brasileiro. A revista “Bundas”, que contrapunha a futilidade orgulhosamente demonstrada em “Caras”, ao debater assuntos sérios, como o futuro político do país ” ao contrário do que o nome sugeria. E a revista “Palavra”, criada no intento de popularizar a arte produzida fora do eixo Rio-São Paulo, que não obtinha tanta atenção quanto merecia. Em 2000, ganhou um parque temático em Brasília, o Ziramundo, em que as crianças podem se divertir em meio ao alegre e colorido universo dos personagens de Ziraldo. Nesta década também foi feito um documentário sobre ele: “Ziraldo, profissão cartunista”, realizado por Marisa Furtado e exibido na TV SENAC.

Hoje em dia, envolve-se em diversos projetos, entre educacionais e editoriais, e continua a produzir e divulgar sua já extensa e consagrada obra. O homem de diversos talentos, artista, desenhista, cartunista, jornalista, humorista; continua a contribuir como pode para a cultura brasileira, pela qual tanto fez em sua carreira.

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26 de janeiro de 2013

Rodrigo Oliveira: Comida nordestina contemporânea

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Quem nunca tomou bronca do pai por mexer nas coisas dele enquanto estava fora? Rodrigo Oliveira sabe bem o que é isso. A diferença, nesse caso, foi que suas intervenções transformaram o restaurante da família, o Mocotó em um dos restaurantes mais aclamados de São Paulo.

Rodrigo nasceu em 1980, em São Paulo. Filho de seu Zé, pernambucano, ele passou muitas de suas férias na terra do pai, onde podia comer frutas ao pé da árvore. Uma experiência inigualável, segundo o próprio.

Seu Zé tinha um pequeno armazém no bairro da Vila Medeiros, que trazia o especial caldo de Mocotó, prato típico de sua terra. A família então abriu um bar, em frente ao armazém. Mal sabiam que ele se transformaria em um premiado restaurante.

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Rodrigo ajudava o pai desde cedo, com 13 anos já lavava os pratos, auxiliava na limpeza do lugar e, assim, foi cada vez mais tendo contato com a gastronomia.

Apesar de estar presente no empório, Seu Zé queria ver os filhos estudando, então Rodrigo foi cursar Engenharia Ambiental. Porém, a vontade de ver o restaurante crescer era grande. Foi aí que a história das broncas começou.

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Em 2000, Rodrigo aproveitou a ausência do pai e deu início a reformas no local. Mexeu na cozinha e acrescentou 20 lugares no restaurante. Era mais um passo rumo ao novo empreendimento.

Ele voltou a estudar em 2001, continuou na área em que havia parado, mas o curso dessa vez era de Gestão Ambiental. Quis o destino que ele conhecesse uma garota cujo irmão fazia gastronomia.

Daí surgiu o interesse cada vez maior pelo tema. Ele começou a ler muito sobre o assunto e aproveitou outra viagem do pai para intervir novamente no restaurante. Mesmo sem a aprovação de Seu Zé, Rodrigo continuou firme no propósito e começou a se especializar no assunto ao cursar gastronomia na faculdade.

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Em 2004, começava de fato a nova fase do restaurante, agora intitulado de Mocotó. Nesse momento, Rodrigo assumia o comando do negócio e, para se preparar mais, resolveu fazer uma viagem pelo Nordeste para buscar ingredientes diferentes e conhecer mais da culinária nordestina.

Após isso, Rodrigo não parou mais de se aprimorar. Fez estágios nas cozinhas de grandes chefs, em especial, Jefferson Rueda e Rodrigo Martins, do Pomodori. Essas experiências proporcionaram bons resultados para o Mocotó que, em 2006, teve seu cardápio reformulado.

Logo os prêmios também começaram a aparecer. Em 2008, ele foi eleito chef-revelação pela publicação Prazeres da Mesa. Já o Mocotó recebia, no mesmo ano, o prêmio de melhor restaurante bom e barato.

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Rodrigo começou a ser convidado a dar palestras em eventos importantes da gastronomia, o Mocotó teve sua capacidade ampliada e se destacou como o principal restaurante de cozinha brasileira também pela Prazeres da Mesa, em 2010.

Entre um prêmio e outro, Rodrigo continua a seguir suas convicções de não deixar o Mocotó parar no tempo. Sua culinária típica do sertão transforma o restaurante em um estabelecimento inclusivo e não exclusivo, como ele mesmo gosta de frisar.

Serviço:

Mocotó

Endereço: Av. Nossa senhora do Loreto, 1100 Vila Medeiros – São Paulo – SP

Contato: (11) 2951-3056